Patrícia Antunes na equipe olímpica de escalada brasileira

Confirmada, extraoficialmente, Campeã Brasileira de Boulder e Campeã Mineira de Vias e Boulder é uma das atletas selecionadas para o grupo que vai encarar a batalha por uma das vagas nas Olimpíadas de 2020

“O foco agora é treinar para a Olimpíada. É treinar para me tornar uma atleta olímpica.”

Seu título de Campeã Brasileira de Boulder é seu maior destaque. Você acha que alguma coisa mudou em relação a patrocínio, depois disso?

Meu timing foi um pouco diferente pois fechei com meus parceiros um pouco antes de ganhar. (Five Ten, 4Climb, Café Américo e Amo Balance). Desde que ganhei aumentou a procura de mídia, mas, de empresas, sinto que no Brasil tem uma falta de interesse. Não sei bem se uma falta de interesse….no início de 2017 decidi ser cara de pau e pensei, ‘vou procurar porque eu quero, preciso, acho legal, tô na batalha, já bati na trave (em 2014 Patrícia ficou em segundo lugar neste mesmo Campeonato) e quero muito chegar ao título’. Eu amo a 510. Comecei a usar quando eles apoiaram a Equipe Rokaz , de 2012 a 2014. Resolvi correr atrás.

Queria falar do Campeonato Brasileiro de Via. É um título que você quer?

Lógico. Meu sonho era ter unificado este título também – como foi com ambos os títulos, regionais de Boulder e Via – ia ser fenomenal. Eu tava muito determinada e confiante pois aprendi que EU tenho de acreditar. Eu, mais do que qualquer pessoa. Tenho de ter que certeza que vou conseguir mas não consegui. Não quer dizer que fui fracassada porque a gente aprende é quando erra. Quando a gente ganha é tudo bom. Quando ce perde ce fala assim ‘olha aí, errei nisso, naquilo’. Acho que é uma questão de amadurecimento pois tentei fazer a mesma concentração que havia feito no de Boulder e o que que acontece? A concentração tem de ser diferente. Participei de poucos campeonatos de Via. De Boulder já participei de vários. É bem mais fácil fazer um campeonato ou festival de Boulder.

E treino, tem algo que deva mudar?

Veio gente do Brasil que pensei: ‘nossa essa menina é f%*%#@’. Ela escala muito na pedra. Mas aí que está a diferença de treinar para escalar na rocha ou se dedicar para escalar em campeonato. Outro dia, conversando com uma preparadora física, ela disse ‘Patty relaxa. Ce tá achando que ce não tá mandando nada na pedra mas não tem jeito, ce tá treinando para campeonato. Ce chega na pedra ce tá assim, exausta, não tem condição. Entendeu? Ce vai mandar, por experiência, porque você é forte e porque você sabe escalar. Agora, porque você está treinando para aquele projeto específico não é. É muito diferente. O foco é outro, a cabeça é outra’.

Uma coisa que eu senti esse ano, principalmente porque não tive férias e não parei em dezembro, foi uma exaustão mental . Toda sexta eu descanso. Só que chegava no sábado, toda vez que eu ia para pedra, eu não conseguia desenvolver bem porque eu estava exausta, mentalmente.

O que voce vai fazer diferente para não ficar exausta? 

Agora estou de férias.

E o que significa?

Significa não treinar. Eu posso vir (para a Rokaz) escalar for fun, brincar, escalar o que eu quiser. Jogo ping pong, faço pilates, ioga. O que eu não faço é o treino com o técnico (o marido Jean Ouriques), de escalada, o funcional de escalada, que faço de 2 a 4 vezes por semana. A minha intenção era ficar até o final de dezembro mas ele já está pressionando para eu voltar em 2 semanas.

Você faz algum exercício cardiovascular?

Olha, meu pilates é bem pouco convencional pois é bastante voltado para a escalada e aí têm muita coisa cárdio. Todas as vezes que tentei correr, eu me machuquei. Corrida não é para mim. Como já dancei, quero tentar fazer algo assim neste ano novo. Ou pegar uma bike, uma coisa que me machuque menos.

Voltando à exaustão. Você não tem a intenção de ir para a pedra aos sábados e domingos?

Tenho. Escalador é bicho de pedra. Acho que não consigo ficar sem ir. Mas, é ir sem deixar virar um stress. Agora, o foco é treino indoor, por causa da seleção brasileira de escalada. Ainda não foi divulgado, oficialmente, pela ABEE , mas com meu resultado de Boulder e de Via eu já sei que estou. (A Associação pretende divulgar e notificar os atletas em torno de 20 de dezembro e, naturalmente, AQUI, uma matéria com todos o detalhes sobre o formato da proposta de trabalho, com os atletas selecionados).

Que máximo. Parabéns! Muito legal.

Eu ainda não “tô” acreditando. É maravilhoso. A gente não têm nem noção do que vem daqui para frente mas a expectativa é muito grande. Estou planejando, para o ano que vem, escalar mais e fazer menos atividades extras. Pretendo fazer, principalmente, treinamentos psicológicos (saber meu ritmo, meu foco, minha concentração). Mas quero dedicar mais tempo para o muro. A melhor coisa para escalar melhor é escalar. Não é fazer musculação, correr, não é fazer pilates – isso tudo ajuda mas, quero direcionar as horas que tenho usado fora da escalada para o treino DE escalada!

Participando dos campeonatos brasileiros……

Participando dos brasileiros. Pretendo incluir na minha agenda o do Chile, que é um Open muito legal – já fui 3 vezes, é um preparativo (melhor colocação 12 lugar). As meninas são super fortes. Fiquei feliz com minha colocação.

Voltando às Olimpíadas. Você está preocupada com alguma categoria?

Tô preocupada com velocidade pois não temos muro. A ideia é treinar com o que tem e fazer campeonatos, na categoria, também, com o que temos por aqui. (A categoria exige um muro “padrão” que fica caro construir, exclusivamente, para treinos).

Cascuda
“Eu amo escalar. Eu quero demais fazer essa via maravilhosa mas eu vou dar um tempo”. Foi a decisão que a atleta tomou após 1 ano tentando a Coliseu, no Cipó (9c). “Começou a virar uma coisa ruim”.

Fala sobre seu treinador.

A didática do Jean é muito boa. Ele já faz isso há muitos anos. Ele tem um diferencial que é um trabalho psicológico muito bom.

E o fato de ser marido e mulher não atrapalha?  

Olha, no início atrapalhou muito pois sou teimosa e ele é o técnico. Na hora que a gente está aqui, não adianta.

Eu sei bem….

A gente já teve momentos, escalando, na pedra, que ele disse “nunca mais vou escalar com você”. Com o tempo isso melhora. Tem que tomar muito cuidado com as coisas que fala. Hoje em dia eu me policio muito porque eu sei que eu sou assim, eu não consigo ouvir alguém dizer ‘faz’ e eu ‘beleza’. Eu não sou robô. Eu gosto de saber porque estou fazendo, para que, onde aquilo ali vai me levar. E tem hora que o técnico, simplesmente, você tem de obedecer.

Há quanto tempo vocês estão neste formato de treino?

Desde 2013.

Quando foi a primeira vez que você escalou?

Em Março de 2008. Uma amiga atriz me trouxe.

E qual o grau mais alto que já escalou?

9b. Mas vi atleta aqui no Campeonato que escala V11 (boulder). E eu, meu máximo foi um V8 (boulder). Isso, mais do que me prova que não é o grau da pedra que define o campeão de um campeonato. É dedicação, sua disposição e empenho.

Muita gente acha que você é nutricionista e você é Relações Públicas.

Todo mundo acha. Por causa do meu envolvimento com alimentação. Tenho uma fábrica de granolas artesanais, a Beneleve. Queremos ser a melhor granola do Brasil.

Ela é seu ganha-pão?

Sim. Consigo fazer meu horário em cima do que eu preciso para treinar e viajar.

Quantos por cento você está na Beneleve e quanto você é atleta?

Eu queria 100% mas não tem jeito. Faço 120 quilos de granola por semana. Eu fico morta. Não sei como consigo vir treinar à noite. Estamos em todas as lojas do Oba, Hortisul.

Eu amo falar sobre nutrição. Vamos fazer um post no futuro só sobre isso.

Com certeza. Muita gente me pergunta sobre minha alimentação. Posso ficar horas falando sobre isso.

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